Modelos Baseados em Agentes na Sintaxe Espacial

Na Sintaxe Espacial, o Modelo Baseado em Agentes (Agent-Based Model – ABM, em inglês) é um modelo que busca simular o comportamento de movimento das pessoas, com base nas propriedades configuracionais e de visibilidade de um determinado espaço. Nesse post, será feita uma breve descrição do modelo, sua aplicabilidade e um breve tutorial de como realizar a simulação no software DepthmapX.

O modelo foi implantado na Sintaxe Espacial por Penn e Turner (2001), como forma de não apenas obter dados sobre acessibilidade espacial, já trabalhados em outras vertentes na Sintaxe Espacial, mas também de capturar padrões de movimento e representação do comportamento humano no ambiente construído, seja ele arquitetônico ou urbano.

A lógica do modelo é simples: os “agentes” (autômatos) escolhem a direção de movimento com base no campo visual do local, definido por intermédio da análise do gráfico de visibilidade (VGA), no qual os agentes têm acesso a informações pré-calculadas sobre o que é visível a partir de qualquer localização dada no mapa.

O Modelo Baseado em Agentes permite que o usuário possa simular o possível padrão de deslocamento humano. Assim, esta ferramenta possui um uso potencial nas tomadas de decisão tanto em termos de planejamento como em projetos de arquitetura e urbanismo, simulando fluxos humanos através de modelos que representem a situação atual ou cenários projetuais.

A visualização pode ser feita em dois modelos: um modelo em 2D, no qual o resultado final da contagem de fluxos é mostrada no mapa pela medida Gate Count (Contagem de Portais) onde as cores mais frias representam os espaços com menor fluxo, e as cores quentes representam os locais onde mais agentes transitaram; e um modelo 3D, onde é visualizado, em tempo real, o deslocamento dos agentes no ambiente estudado.

fluxo

Mapa de fluxos de pessoas. As cores indicam fluxo de pessoas: cores frias representam fluxo menor; cores quentes representam fluxos maiores.

agent_02

Modelo 3D, com os autômatos circulando no ambiente. As cores indicam fluxo de pessoas: cores frias representam fluxo menor; cores quentes representam fluxos maiores.

Tutorial

Uma versão beta do DepthmapX foi lançada em junho, atualizada por Christian Sailer, Petros Koutsolampros na qual a visualização 3D dos agentes está mais estável. A versão pode ser baixada no link abaixo:

https://github.com/blackseamonster/depthmapX/releases/tag/v0.55beta

Para gerar a simulação dos agentes, é necessário primeiro realizar a Análise de Grafos de Visibilidade (VGA). Em casos de dúvidas, vejam as postagens do blog sobre os conceitos e tutorial  da Análise de Grafos de Visibilidade.

Abaixo, um vídeo mostrando os procedimentos para a simulação de agentes.

Importante lembrar que a simulação feita pelo modelo leva em consideração apenas propriedades configuracionais e de visibilidade. Outras variáveis, como topografia, sombreamento e pavimentação não são consideradas aqui. Se a simulação feita em um determinado local não condiz com o fluxo real de pessoas, muito provavelmente a forma urbana e a visibilidade espacial não são as variáveis principais geradoras (ou modificadoras) deste padrão de deslocamento.

Referências

PENN, A.; TURNER, A. Space Syntax Based Agent Simulation. In: International Conference on Pedestrian and Evacuation Dynamics, 1 Duisburg, 2001. Proceedings… Duisburg: University of Duisburg, 2001.

 

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3 respostas para “Modelos Baseados em Agentes na Sintaxe Espacial”

  1. No caso de se estar trabalhando com um bairro que possui um ponto de grande atração, como uma orla marítima, isso acabaria por influenciar diretamente no que tange a visibilidade e fluxo. Diante disse, teria alguma maneira de levar isso em conta para aplicação dessa análise? Desde já agradeço pela atenção!

    Curtido por 1 pessoa

    1. Olá Maria! Infelizmente o DepthmapX (e a maioria das ferramentas de Sintaxe Espacial) só levam em consideração a configuração espacial. Nesse caso, há uma limitação do programa, em simular acessibilidade e fluxos baseados apenas na morfologia. Isto não desqualifica o software, uma vez que há estudos de caso que mostram que a forma urbana é responsável por 60% a 70% dos fluxos de pessoas, variando com o modo de transporte utilizado. Você pode utilizar a metodoogia da Sintaxe Espacial para analisar o quanto a forma urbana influencia (ou não) nos fluxos. O que não puder ser explicado pela Sintaxe pode ser explicado por outros fatores, como a presença de sítios de amenidades, como você mencionou. O importante é saber que informação você quer extrair do programa. Abraços!

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