Aplicativos para Planejamento Urbano

Assim como no campo dos projetos de edificações, o planejamento urbano possui ferramentas que podem ajudar no desenvolvimento de estudos e projetos. Nesse post vamos mostrar um site e dois softwares que podem ajudar no desenvolvimento de estudos ou trabalhos ligados ao planejamento urbano: o aplicativo de web Streetmix e os programas Google Earth Pro e QGIS.

Streetmix (https://streetmix.net)

Streetmix é um aplicativo de web para o desenvolvimento de soluções de desenho urbano, a partir da criação de perfis de rua. É possível editar e personalizar uma série de itens:

  • Nome da rua;
  • Largura da rua, que possui três tamanhos padrões (12m, 18m e 24m) ou um tamanho personalizado;
  • O tipo de entorno, que pode ser um waterfront, gramado, estacionamento, lote vazio, edifícios residenciais e comerciais. No caso dos edifícios, pode-se editar o gabarito, indicando o número de pavimentos.
  • Elementos urbanos como calçada (passeio), arborização urbana, bicicletário, banco, placa informativa, parklet, elemento de separação (gramado, balizadores, entre outros), ciclovia, estacionamento, faixa de rolamento, faixa de conversão,  faixa exclusiva de ônibus, bonde, Veículo Leve sobre Trilhos e terminal de embarque e desembarque. Podem ser customizados e redimensionados.

Enquanto o perfil da rua é montado, há a indicação do espaço vazio (empty space) que pode ser utilizado. Abaixo de cada item, é indicada a largura utilizada e, ao lado do valor da largura. Se a largura foi atingida, a indicação some. Caso o tamanho dos elementos usados sejam maiores que a largura da rua, é indicado em vermelho a largura excedente.

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O resultado final pode ser tanto compartilhado em redes sociais, salvo em forma de imagem ou impresso. O site permite também algumas edições na hora de salvar a figura, como exibir o nome da rua e exibir o nome dos elementos e a largura de cada um.

Uma das possíveis aplicações do Streetmix é a capacidade de simular cenários. Pode-se recriar a situação atual de uma rua e suas possíveis alternativas de intervenção. Assim, o usuário pode, dentro das limitações da rua, avaliar a melhor proposta que atenda às necessidades da comunidade, com a vantagem de dispor de uma representação gráfica de fácil leitura.

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Caso você tenha conhecimento de softwares de edição de imagem, é possível salvar a imagem do Streetmix sem o fundo ou qualquer outra informação e fazer uma edição final ao seu gosto.

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Dentre os pontos positivos do aplicativo é a interface amigável, que permite criar os perfis de rua de maneira fácil e rápida; a representação gráfica humanizada, que também permite uma leitura fácil de todos os elementos, deixando ao usuário apenas a tarefa de modelar.

Não há muitos pontos negativos, podendo-se citar apenas o número limitado de elementos para usar e suas possíveis variações gráficas, como tipos de árvores ou modificar a cor do piso (que podem ser feitas em uma edição no Photoshop). O site está somente em inglês, porém a interface amigável não impede qualquer pessoa de usar.

 

Google Earth Pro (https://www.google.com/earth/download/gep/agree.html)

O Google Earth Pro é um programa de visualização de imagens de satélite de todo o mundo. Lançado em 2001, teve sua versão Pro disponibilizada gratuitamente desde 2016, permitindo o amplo uso de seus recursos a qualquer usuário doméstico. Aqui no blog já mostramos como criar mapas temáticos no Google Earth. Porém, o software agrega outras aplicações interessantes para o urbanismo:

  • Ferramenta Street View: Permite uma visualização da paisagem da rua. É uma ferramenta útil quando não se conhece o local de estudo/trabalho e/ou quando não há a possibilidade de uma visita prévia in loco. Recomenda-se cautela ao utilizar a ferramenta em função de as imagens poderem ser de datações antigas, havendo a possibilidade de desatualizações.

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  • Imagens de Satélite Históricas: O Google Earth permite ao usuário a visualização de imagens de satélite de datas diferentes. Uma possível aplicação dessa ferramenta é a realização de um estudo comparativo (análise espaço-temporal) de uma determinada localidade, em datas distintas. Assim, pode-se, por exemplo, analisar o  processo de expansão urbana ou modificação no uso e ocupação do solo urbano.

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  • Visualização de modelos 3D: Na versão Pro, o Google Earth traz uma ferramenta de visualização 3D mais avança que a versão padrão. Nesta, que apenas era possível visualizar edifícios tridimensionais exportados do Armazém 3D, agora traz uma modelagem completa de algumas cidades (ou partes delas), desde detalhes dos edifícios até a arborização. Um dos usos que podem ser explorados é a capacidade de analisar a verticalização de um setor, adensamento edilício, além da topografia. Da mesma forma que o Street View, recomenda-se cautela ao usar essa ferramenta, pois a visualização 3D pode estar desatualizada em relação à imagem de satélite mais recente.

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  • Visualização de perfil topográfico: A representação do revelo terreste no Google Earth é feito através de imagens SRTM (Shuttle Radar Topography Mission). Além de uma representação 3D próxima da realidade, é possível extrair um perfil topográfico de qualquer localização: basta traçar uma linha, e depois clicar com o botão direito nela e clicar na opção “Mostrar perfil de elevação”. Um gráfico é exibido na parte inferior indicando altura e e porcentagem de inclinação. A ferramenta é interessante para analisar a viabilidade de ciclovias, por exemplo.

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Como pontos positivos do Google Earth, podemos citar a interface amigável, e o fato de a versão Pro já disponibilizada gratuitamente. Como pontos negativos, o Google Earth requer acesso à internet para a maioria das funções. As imagens visualizadas online podem ser vistas offline, mas não o contrário.

 

QGIS (https://www.qgis.org/pt_BR/site)

O QGIS é um Sistema de Informação Geográfica (SIG) livre e de código aberto. O projeto foi criado com o nome Quantum GIS em 2002 por Gary Sherman e atuamente é mantido pelo QGIS Development Team. O programa permite visualizar, editar, processar e analisar dados georreferenciados, ou seja, dados que possuam informação geográfica (latitude e longitude). É atualmente um dos softwares SIG livres mais populares no mundo.

O QGIS permite uma enorme quantidade de aplicações. Abaixo, listamos alguns usos potenciais no campo do urbanismo:

  • Consulta de Dados Geoespaciais: Uma das funções mais básicas do QGIS é a possibilidade de realizar consultas espaciais, ou seja, você pode visualizar as informações contidas nas camadas (layers) inseridas. Vale lembrar que a disponibilidade de dados a serem consultados depende unicamente do que está inserido no banco de dados da camada trabalhada, podendo haver ou não informações para consulta.

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  • Manipulação de Bancos de Dados Geográficos: Outra função simples é a manipulação de dados espaciais. O programa permite criar representações gráficas, de forma automatizada, das informações contidas no arquivo trabalhado. Nessa função, não há a necessidade de criar novos bancos de dados, apenas solicitar ao QGIS que modifique a representação espacial de acordo com um determinado dado. No exemplo abaixo, a camada de bairros da cidade de João Pessoa teve seu banco de dados manipulado, para exibir, em uma rampa de cores, a densidade populacional por bairro.

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  • Acesso à vários plugins: O QGIS possui uma comunidade ativa, inclusive no desenvolvimento de plugins para o software. Um plugin interessante é o QuickMapServices, que permite a visualização de imagens de satélite de várias bases, como o Google Earth, Google Maps e OpenStreetMap. Outro plugin útil é o Space Syntax Tookit, para realizar estudos de Sintaxe Espacial (confira o post sobre a integração do DepthmapX com o QGIS).

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  • Integração com o OpenStreetMap: O OpenStreetMap é um projeto de informações geográficas Voluntárias (VGI, na sigla em inglês), no qual usuários de qualquer lugar do mundo podem inserir informações de ruas, quadras, limites administrativos entre outros (porém, passam por uma avaliação prévia antes de serem publicados, ao contrário do Wikipedia). O QGIS possui uma ferramenta que possibilita ao usuário baixar todas as informações disponíveis para qualquer localidade. Vale salientar que, poder um projeto colaborativo, as informações podem estar incompletas ou desatualizadas, cabendo ao usuário conferir a precisão e veracidade dos dados.

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  • Modelagem matemática e geométrica de dados vetoriais e matriciais: É possível realizar uma série de operações matemáticas, simples e complexas, para análises espaciais. É possível calcular o comprimento das ruas, a área dos quarteirões, espacializar a densidade de infraestruturas (edifícios, áreas verdes, equipamentos urbanos), pessoas, modos de transporte ou fenômenos sociais (crimes, focos de doença). Da mesma forma é possível realizar funções geométricas de recortar, interseção, união, dissolver geometrias, criar buffers, transformar linhas em polígonos e vice-versa. No exemplo abaixo, foram modeladas as ilhas espaciais (barreiras ao movimento, similares a quarteirões) a partir de um arquivo de linhas e calculada a área de todas as ilhas espaciais, automaticamente, podendo-se analisar a morfologia urbana do local.

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  • Interoperabilidade com formatos de arquivos: o QGIS permite a importação e Exportação de dados em diversos formatos que são compartilhados por outros programas, como o shp (Shapefile), kml (Google Earth), dxf (softwares CAD), mif (Mapinfo), entre outros. Isso permite, por exemplo, que o mapeamento de dados que for feito no Google Earth possa ser exportado para o QGIS para uma análise mais completa e vice-versa. No exemplo abaixo, os dados baixados do OpenStreetMap no QGIS foram exportados em kml, permitindo sua visualização (inclusive com a simbologia utilizada) no Google Earth. Nesse sentido, um uso potencial educacional é a criação de material didático sobre cidades, garantido ao aluno a visualização dos dados de forma mais fácil do que no QGIS, que requer mais tempo de treinamento.

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Dentre os pontos positivos do programa, pode-se destacar o fato de o software ser gratuito (não gera despesa com a compra de licenças para obtenção do software) e código aberto (o código fonte é disponibilizado e licenciado gratuitamente para uso, edição e distribuição), permitindo a programadores tanto a edição do software como o desenvolvimento de plugins e ferramentas em linguagem Phyton ou C++. Além disso, o QGIS possui versão oficial em português.

Os únicos pontos negativos que podemos destacar, em relação à sua aplicação na Arquitetura e Urbanismo, é que, para o uso pleno do QGIS, é necessário que o usuário tenha conhecimentos de geoprocessamento e cartografia, áreas pouco exploradas nos cursos de graduação em Arquitetura e Urbanismo. No entanto, existe uma comunidade oficial do QGIS no Brasil, que disponibiliza tutoriais e materiais de aprendizado oficiais em português e gratuitamente, além de haver vídeos tutoriais no Youtube. Além disso, algumas funções e plugins do QGIS, mostrados aqui, requerem acesso à internet.

3 respostas para “Aplicativos para Planejamento Urbano”

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