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REGIC 2018 – Regiões de Influência das Cidades

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou na quinta-feira (25/06/2020) o novo REGIC – Regiões de influência das Cidades, com dados de 2018.

Segundo o site do IBGE, o REGIC “define a hierarquia dos centros urbanos brasileiros e delimita as regiões de influência a eles associados”. Ou seja, a partir dos dados do estudo, pode-se delimitar as dinâmicas entre as redes de cidades e arranjos populacionais, pelas centralidades exercidas por bens, serviços, equipamentos, entre outros aspectos.

Este é o quinto estudo do REGIC – os anteriores foram em 1972, 1987, 1993 e 2007. Portanto, os resultados de 2018 vêm suprir um lacuna destas informações, que já foi mencionada neste post sobre o REGIC 2007 (IBGE, 2008), cujos novos dados somam com a atualização das novas divisões regionais do Brasil. Desta forma, a plataforma de dados sobre estudos regionais e redes urbanas no país está mais atualizada, permitindo pesquisas que descrevam e analisem melhor o espaço regional.

 

Metodologia do REGIC 2018

O REGIC 2018 utilizou a mesma metodologia do REGIC 2007. Os principais aspectos considerados para análise da rede urbana são compostos por plataformas de desenvolvimento urbano e regional. Os dados são analisados pela ordem das ligações entre as cidades, que varia entre 1 e 4. Ligações de ordem 1 são as maiores; implicam que há um maior fluxo entre duas cidades, e representa também uma maior dependência de nesse quesito de uma cidade para a cidade destino analisada. Ligações de ordem 4 são mais fracas, e estabelecem menor dependência entre as cidades analisadas.

As principais plataformas utilizadas são: Aeroportos, Compras, Cursos de Ensino Superior, Lazer e Saúde. Quanto maior o número total de ligações e o número de ligação de 1ª e 2ª ordem, maior o nível de relacionamento destas cidades, o que pode implicar também numa maior dependência da cidade origem para a cidade destino. Além disso, o REGIC também analisa os seguintes aspectos: Linhas de Ônibus (quantidade e frequência de viagens) e Circulação de Jornais (quantidade de jornais e frequência de publicação).

São definidos como núcleos urbanos as sedes dos municípios e os arranjos populacionais – estes, conceituados como  “recortes territoriais estabelecidos por estudo próprio (…), e que consistem em agrupamentos de dois ou mais Municípios” (IBGE, 2020, p. 11). São unidades territoriais de cidades cuja dinâmica metropolitana as tornam como se fossem um único núcleo urbano, definidos pela publicação do IBGE “Arranjos Populacionais e Concentrações Urbanas no Brasil” (IBGE, 2016).

 

Hierarquia da Rede Urbana

Assim como no estudo anterior, o REGIC 2018 classifica as cidades hierarquicamente em cinco tipos de centros, divididos de acordo com abrangência da rede urbana, população e relacionamentos (a quantidade de vezes que, no questionário da pesquisa, uma determinada cidade foi citada como principal destino de deslocamentos interurbanos):

 

1. Metrópoles

É composto pelos 15 principais centros urbanos do país (em 2007, eram 12). A principal característica é a extensão territorial e de sua influência direta. É subdividida em 3 níveis:

  • Grande Metrópole Nacional: Composta apenas pelo Arranjo Populacional de São Paulo, como principal centro urbano no país;
  • Metrópole Nacional: Composta pelos Arranjos Populacionais do Rio de Janeiro e Brasília. Juntamente com São Paulo, estas cidades constituem o foco dos deslocamentos para os centros urbanos do país;
  • Metrópole: Composta por 12 Arranjos Populacionais: Manaus, Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Curitiba, Goiânia, Porto Alegre, Florianópolis, Campinas e Vitória (estes 3 últimos são novos em relação ao REGIC de 2007). São caracterizados pelo porte e projeção nacional.

 

2. Capitais Regionais

Composto por 97 centros urbanos (eram 70 no REGIC 2007), cuja área de influência é no âmbito regional. Estão divididos em três grupos:

  • Capital Regional A: Composta por 9 cidades (eram 11 no REGIC 2007), caracterizadas por serem capitais estaduais (exceto Campinas). A população destas cidades varia entre 800 mil e 1,4 milhão de habitantes, e todas se relacionam diretamente com as cidades classificadas como Metrópoles. Neste grupo encontram-se a cidade de João Pessoa-PB, Natal-RN e Aracaju-SE;
  • Capital Regional B: Composta por 24 cidades (eram 20 no REGIC 2007), com população média de 530 mil habitantes e serem centralidades de referência no interior dos Estados (exceto Palmas-TO e Porto Velho-RO). Neste grupo encontram-se a cidade de Caruaru-PE, Feira de Santana-BA e Uberlândia-MG;
  • Capital Regional C: Composta por 64 cidades (eram 39 no REGIC 2007), com população entre 200 mil e 360 mil habitantes. Neste grupo, encontram-se as cidades de Campina Grande-PB e Mossoró-RN.

 

3. Centros Sub-Regionais

É composto por 352 cidades (eram 139 no REGIC 2007), caracterizadas por terem atividades de gestão menos complexas (de acordo com a publicação, todas foram classificadas com nível 3 em “gestão do território”), e possuírem áreas de influência menos extensas que as das Capitais Regionais. Estão divididos em 2 grupos:

  • Centro Sub-Regional A: composto por 96 cidades (eram 85 no REGIC 2007), com população média de 120 mil habitantes. Neste grupo encontram-se 2 cidades paraibanas: Cajazeiras e Patos;
  • Centro Sub-Regional B: composto por 256 cidades (eram 79 no REGIC 2007), com população média de 70 mil habitantes, variando entre 55 mil e 85 mil habitantes. Neste grupo encontram-se o Arranjo Populacional de Guarabira e a cidade de Sousa, na Paraíba, e a cidade de Caicó-RN.

 

4. Centros de Zona

É constituído por 398 cidades de pequeno porte (eram 556 no REGIC 2007), caracterizadas por “menores níveis de atividades de gestão, polarizando um número inferior de Cidades vizinhas em virtude da atração direta da população por comércio e serviços baseada nas relações de proximidade” (IBGE, 2020, p.13). São divididos em 2 grupos:

  • Centro de Zona A: composto por 147 cidades (eram 192 no REGIC 2007), com população média de 40 mil habitantes, cuja gestão do território, foi classificada, majoritariamente, nos níveis 3 e 4. neste grupo encontram-se 4 núcleos urbanos paraibanos: o Arranjo Populacional de Mamanguape-Rio Tinto e as cidades de São Bento, Pombal e Itaporanga;
  • Centro de Zona B: composto por 251 cidades (eram 364 cidades no REGIC 2007) com população média inferior a 25 mil habitantes (variando entre 15 mil e 35 mil) e todas classificadas nos níveis 4 e 5 de gestão territorial. Neste grupo encontram-se 12 cidades paraibanas: Os Arranjos Populacionais de Cuité-Nova Floresta, Solânea-Bananeiras e as cidades de Picuí, Santa Luzia, Serra Branca, Sumé, Monteiro, Princesa Isabel, Conceição, Piancó, São José de Piranhas e Uiraúna.

 

5. Centros Locais

São as demais 4.037 cidades (eram 4.473 no REGIC 2007), que representam 82,4% de todos os núcleos urbanos do Brasil. A população média é de 12,5 mil habitantes, cuja influência é restrita ao próprio limite territorial, ou seja, são cidades que não possuem influência em outras, apenas àquilo que estive incluso no limite municipal (núcleo urbano principal, distritos, etc.)

 

Além disso, o novo REGIC 2018 também trata das conexões com cidades internacionais. Foram estudados 588 municípios classificados como faixas de fronteira, utilizando as mesmas perguntas do método da publicação, a partir da atratividades para compras, serviços de saúde, ensino superior, atividades culturais, esportivas e uso de aeroportos.

A publicação está disponível online gratuitamente no sítio eletrônico do IBGE, onde é possível também baixar o banco de dados e arquivos do tipo Shape para softwares SIG, como o QGIS. Caso queira pesquisa tanto a versão 2018 do REGIC como as anteriores, clique no link abaixo:

https://www.ibge.gov.br/geociencias/cartas-e-mapas/redes-geograficas/15798-regioes-de-influencia-das-cidades.html?edicao=28033&t=o-que-e

 

Referências:

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Arranjos Populacionais e Concentrações Urbanas no Brasil. 2. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2016, 167 p.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Regiões de Influência das Cidades 2007. Rio de Janeiro: IBGE, 2008, 202 p.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Regiões de Influência das Cidades: 2018. Rio de Janeiro: IBGE, 2020, 192 p.

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