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CRediT – Taxonomia das Funções do Colaborador em Pesquisas e Artigos Científicos

O CRediT (Contributor Roles Taxonomy, ou “Taxonomia das Funções do Colaborador, em tradução livre) é uma taxonomia (técnica de classificação) utilizada para descrever e classificar a contribuição de cada autor de uma publicação científica. Esta taxonomia tem sido bastante empregada e periódicos internacionais, visto que é comum nestas revistas científicas exigir a descrição da colaboração que cada autor teve na construção de um artigo ou pesquisa científica.

Como Surgiu?

A origem dessa taxonomia pode ser considerada recente. De acordo com o site do CRediT, em meados de 2012, a Wellcome Trust e Harvard University organizaram uma oficina, com o intuito de explorar modelos de atribuição e contribuição em pesquisas científicas. Seguido desta oficina, foi criado um projeto piloto para desenvolver um vocabulário de funções de colaboradores (taxonomia), que poderia ser usado para descrever um conjunto típico de ditas “contribuições”, de cada membro ou coautor, para a produção acadêmica e científica. Apesar do foco inicial em pesquisas biomédicas, a intenção era abranger outras áreas da ciência, de maneira que a aplicação desta taxonomia fosse mais ampla.

Quem Utiliza?

Dentre alguns deste veículos de publicação científica que utilizam o CRedit, pode-se citar: Cambridge University Press, Elsevier, MIT Press, Oxford University Press, SAGE Publishing, Springer, Springer Publishing Company e TU Delft OPEN Publishing. A lista completa pode ser acessada neste link: https://credit.niso.org/adopters/.

Quais os Benefícios?

De acordo com o site do CRediT, diversos benefícios do uso da taxonomia dos colaboradores podem ser elencados (com alguns comentários do autor deste post):

  • Ajuda na redução do potencial de disputas de autoria: a partir da aplicação da taxonomia, o risco de problemas relacionados à importância e autoria de cada um dos membros é reduzida, uma vez que cada colaborador sabe, de antemão, suas funções no desenvolvimento do artigo, bem como estas ficam explícitas para os leitores do trabalho também;
  • Apoio a adesão de pesquisadores aos processos e políticas relacionados à autoria / contribuição: o uso da taxonomia ajuda também a difundir uma cultura / política de estabelecimento de funções, o que beneficia o processo de produção científica como um todo;
  • Contribui na visibilidade e o reconhecimento das diferentes contribuições dos pesquisadores: durante a construção de um artigo científico, diferentes funções são exercidas (para além da concepção da ideia inicial e escrita como um todo). Nem todas acabam tendo sua importância reconhecida, e isto ocorre principalmente em trabalhos com vários autores. Com a taxonomia, aspectos relacionados, por exemplo, à curadoria de dados, análise estatística, revisão da escrita etc, tendem a ser mais visíveis e, consequentemente, mais valorizados durante o processo;
  • Apoio a identificação de revisores pares e conhecimentos específicos: a taxonomia de colaboradores permite também identificar autores que possuem experiência em determinadas etapas de uma pesquisa científica, bem como aqueles com capacidade de revisão (que são importantes para o corpo editorial de um periódico);
  • Apoio a concessão de subsídios, permitindo que os financiadores identifiquem mais facilmente os responsáveis por produtos de pesquisa específicos, desenvolvimentos ou avanços: o uso da taxonomia, ao facilitar a identificação dos papeis desenvolvidos pelos autores, dá mais transparência ao desenvolvimento científico, o que pode facilitar captação de recursos e financiamentos de pesquisas;
  • Melhoria na capacidade de rastrear os resultados e contribuições de especialistas em pesquisas individuais e beneficiários de bolsas: a taxonomia facilita também identificar como cada pesquisador está contribuindo na construção das pesquisas, artigos e seus respectivos resultados. Isto pode ser uma medida para mensurar a eficiência dos trabalhos, principalmente aqueles que possuem algum tipo de financiamento ou ajuda financeira a fazer prestações de contas às agências de fomento;
  • Fácil identificação de potenciais colaboradores e oportunidades de networking de pesquisa: ao identificar as atribuições de cada autor nos artigos, pode haver uma visibilidade maior em relação ao seu trabalho. Isto pode facilitar o aparecimento de novas oportunidades de pesquisa, bem como parcerias com outros profissionais e empresas/instituições;
  • Novos desenvolvimentos em gerenciamento de dados e nanopublicação: uma melhor divisão de papeis e atribuições permite também à equipe (e gestores) da pesquisa um melhor gerenciamento dos dados que estão sendo usados e criados;
  • Informar ‘ciência da ciência’ (‘meta-pesquisa) para ajudar a aumentar a eficácia e eficiência: a descrição das funções dos colaboradores contribui para melhorar o fluxo de trabalho, reduzindo retrabalhos e o tempo dedicado ao desenvolvimento do artigo. Também pode trazer benefícios à qualidade dos resultados da pesquisa;
  • Permitir novos indicadores de valor de pesquisa, uso e reutilização, crédito e atribuição: o uso da taxonomia permite qualificar a divisão das funções numa pesquisa científica, o que pode gerar novas formas de avaliar artigos, bem como ajuda a difundir a cultura da atribuição de papeis durante a pesquisa e escrita de publicações científicas, por vezes negligenciada.

Quais as Funções dos Colaboradores?

De acordo com o site oficial do CRediT, existem 14 tipos de funções (com alguns comentários do autor do post):

  1. Conceituação: é a contribuição responsável pelas ideias, formulação e evolução dos objetivos a serem alcançados na pesquisa ou artigo;
  2. Curadoria de dados: é a contribuição das atividades de gerenciamento dos dados (compilação, anotação, manutenção, produção de metadados), durante e após a pesquisa;
  3. Análise formal: é a colaboração nas aplicações de técnicas e métodos de análises de dados (modelos estatísticos, matemáticos, computacionais e – para estudos urbanos – espaciais);
  4. Aquisição de financiamento: é a contribuição que se refere às atividades relacionadas à aquisição de apoio financeiro para a pesquisa em questão;
  5. Investigação: é a condução do processo de pesquisa e investigação (realização de experiências, coleta de dados e evidências);
  6. Metodologia: é o contributo relacionado à condução no desenvolvimento da metodologia científica aplicada na pesquisa, bem como na criação de modelos;
  7. Administração do projeto: é a função que se responsabiliza pela gestão e coordenação do planejamento e execução da pesquisa (além dos recursos humanos envolvidos diretamente);
  8. Recursos: é a função responsável pela distribuição dos insumos necessários à realização da pesquisa (materiais, amostras, instrumentos e equipamentos);
  9. Software: as pesquisas científicas contemporâneas exigem, em maior ou menor grau, do uso de equipamentos computacionais. Esta contribuição se refere ao desenvolvimento, programação e teste de softwares e/ou aplicativos, sejam eles para computadores, dispositivos móveis ou qualquer outro equipamento que exija o uso de softwares;
  10. Supervisão: é a função de supervisão do planejamento e execução do projeto de pesquisa. Inclui também atividades mentoria à equipe principal;
  11. Validação: é a colaboração relacionada à verificação da qualidade e potencial de replicação/ reprodução dos resultados da pesquisa (e, por consequência dos métodos e ferramentas aplicados);
  12. Visualização: é a preparação, criação e/ou apresentação dos dados produzidos na pesquisa;
  13. Redação (esboço original): é a colaboração da escrita do esboço original do artigo, além da elaboração da apresentação do trabalho;
  14. Redação (revisão e edição): é a contribuição responsável pela revisão crítica do trabalho, antes e depois da publicação, além da além da elaboração da apresentação do trabalho para o grupo de pesquisa original.

Como Implementar o CRediT?

De acordo com o site oficial do CRediT, professores, pesquisadores, alunos e demais acadêmicos podem implementar o CRedit alocando os termos (funções) adequadamente entre os autores (colaboradores) que fazem parte da pesquisa. É importante também que haja o incentivo para o reconhecimento e adoção desta taxonomia na sua instituição de ensino/pesquisa e em qualquer publicação que você esteja envolvido. Quanto maior for o grupo de pesquisadores a utilizarem a taxonomia, maior será sua divulgação e a ampliação da cultura da atribuição de funções, o que pode ajudar a melhorar a qualidade das pesquisas e artigos científicos.

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